// Afonso Henriques (2009)


Co-produção | Teatro Nacional D. Maria II e Teatro O Bando
Texto | A partir de um poema épico de tradição oral e de crónicas da idade média

Dramaturgia, Encenação e Espaço Cénico João Brites | Arranjo Musical A partir de recolha de Música Tradicional Portuguesa | Oralidade Teresa Lima | Figurinos Clara Bento | Adereços Isabel Carretas, Clara Bento e Fátima Santos | Desenho de Luz | João Cachulo | Execução de Figurinos Teresa Louro | Carpintaria | Mestre Espada

Com | Ana Brandão, Guilherme Noronha, Miguel Jesus, Nicolas Brites e Sara de Castro
Agradecimentos | Antón Varela, Cláudia Chéu, Jorge Bragada, Luís Lourenço, Gonçalo do Carmo, Tocárufar

Este é um retrato do nosso primeiro rei com suas glórias e vicissitudes, com suas conquistas e suas derrotas. O retrato de uma criança que herda um pedaço de terra lá para os lados de Astorga, de um adolescente que aprisiona a mãe, de um guerreiro que mata e que saqueia e que se zanga com o papa, de um conquistador temível que em nome do reino de Deus ataca sempre de surpresa, de um velho friorento que se liberta das mãos dos castelhanos e morre aprisionado nas memórias e nas imagens de todos nós.

Aos ombros deste gigante aleijado das pernas, o Teatro bando já percorreu as mil e uma vilas e cidades do Condado; foi a Braga visitar o túmulo de D. Henrique e a Coimbra ver o rosto do seu protagonista; itinerante, palmilhou a pé, a trono e a cavalo as terras de Viseu, de Leiria, de Aveiro, de Castelo Branco e da Guarda; reconquistou várias vezes Santarém e foi prisioneiro do sonho de muitas crianças na invicta cidade do Porto; encontrou as gentes mouras de Beja, de Évora, de Faro e de Setúbal e, antecipando a própria história, navegou até aos territórios oceânicos dos Açores; ao som de gaita-de-foles e de tambores invadiu a Europa através de Espanha e cruzou festivais por toda a França, Itália, Suíça, Holanda, Inglaterra, Luxemburgo, e Alemanha; conquistou terras nunca vistas para lá dos grandes mares, ali onde as pessoas dizem ser do Canadá, de Moçambique e do Brasil; e por fim veio repousar aqui entre os Barris, à vista do Castelo de Palmela. 

Depois de vinte e sete anos de batalhas e encantamentos, e tendo atravessado teatros, recreios, escolas, anfiteatros, praças públicas e pavilhões desportivos, fazemos ainda mais actual uma história que nunca se esqueceu, desmistificamos um herói com novecentos anos que continua a provocar dúvidas, a levantar sonhos e a suscitar paixões – pois ninguém em dias de sua vida fez na sua terra senão o que ele quis. Recriando e refazendo o que fomos aprendendo, o que foi sendo transmitido de elenco para elenco ao longo de várias gerações de actores, chegamos novamente com as palavras épicas vindas da tradição oral e das crónicas medievais e os gestos saltimbancos vindos da tradição teatral que este AFONSO HENRIQUES para nós já representa. Santiago!

Miguel Jesus
Teatro O Bando

(sinopse do espectáculo)


Henrique: Filho, toda esta terra que eu te deixo de Astorga para além de Coimbra, não percas dela um palmo, pois a ganhei com grande pena e trabalho. E filho, toma do meu coração algum... outro tanto, com que sejas valente. E sê companheiro para os fidalgos. E dá-lhes sempre os seus dinheiros bem contados. E respeita as assembleias da cidade e faz com que tenham os seus direitos tanto os grandes como os pequenos. E nem por pedidos, cunhas ou cobiça deixes de fazer justiça. Pois se um dia deixares de fazer justiça um palmo, logo ao outro dia se afastará de ti uma braça. E por isso, meu filho, guarda sempre a justiça no teu coração.

Afonso: Mamã, o que é a justiça?

D. Teresa: Afonso Henriques!... Shiu!