// TABU (2022)

direcção e encenação Juliana Pinho (Teatro O Bando) 
co-direcção e coreografia Corinne Eckenstein (Dschungel Wien)
assistência de encenação Amarílis Anchieta (Teatro O Bando) dramaturgia Amarílis Anchieta e Susana Mateus (Teatro O Bando) 
cenografia Rui Francisco (Teatro O Bando) figurinos Catarina Fernandes (Teatro O Bando)

com Elif Bilici (Dschungel Wien), Maria Taborda (Teatro O Bando), Nérika Amaral (Teatro O Bando) e Rafael Barreto (Teatro O Bando)
música Maria Taborda
produção Inês Gregório (Teatro O Bando)
desenho de som Miguel Lima (Teatro O Bando) 
desenho de luz Dschungel Wien
Foi no séc. XVIII que a palavra TABU navegou mares e cruzou oceanos. Vinda da Polinésia a palavra chegou até nós pelas mãos de um explorador e agora tentamos compreender por que linhas se foi cosendo na nossa cultura.
Afinal o que é um TABU?
É uma questão moral, religiosa ou faz parte das nossas convenções sociais?
Existem para serem quebrados, queimados, questionados ou até mesmo destruídos?
Estas perguntas têm guiado o processo desta nova criação inserida no projecto europeu Connect Up e em colaboração com o Dschungel Wien (Aústria).

Este TABU está a ser (des)construído por muitas mãos e concretizado em múltiplas etapas. Os materiais e imagens que servem de base à nossa pesquisa teatral surgiram dos encontros com alunos das escolas de Palmela e com os membros do Movimento Zebra, projecto de formação teatral nascido em 2019 e constituído por curiosos do teatro de diversas nacionalidades a viver em Setúbal. Com estes grupos recolhemos testemunhos, desenvolvemos exercícios de escrita e desenho criativo e fomos enchendo a Caixa dos Tabus.

Quando abrimos esta Caixa encontrámos palavras em várias línguas, com imaginários e mundos muito diversos. O texto teatral está a ser fixado a partir desta recolha e a visualidade construída com base nas imagens de todas as crianças, jovens e adultos envolvidos nesta pesquisa sobre o que é e não é proibido, sobre o que é e não é segredo, sobre o que se pode ou não dizer.

Capturámos assim as palavras proibidas e agora essas palavras serão reveladas na voz, no corpo e no olhar de quatro personagens que se encontram numa encruzilhada.
Fugiram? Precisam de decidir. Que caminho irão escolher? E que obstáculos tornarão mais difícil a escolha do caminho? O que dizem as vozes que habitam nas suas cabeças? Quem as colocou lá dentro?
Será que estes estranhos seguirão juntos? Estão entre caminhos, a meio do caminho, no meio da estrada. Continuarão sozinhos como se nada tivesse acontecido? 
Irão encarar a vertigem de descobrir quem são?
Não vamos contar o segredo de ninguém. Mas vamos soltar as línguas, as palavras e a poesia sonora da comunidade que partilhou connosco as suas palavras proibidas, os seus medos, vergonhas e desejos;
Vamos encontrar essa  linha-limite que a cabeça impõe ao corpo.
Este espectáculo é sobre o encontro de linhas, fronteiras, limites e diversidade! 
Qual é a estratégia de sobrevivência? É um jogo de três vértices: o brincar, a violência e  a vulnerabilidade!